TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO X DESENVOLVIMENTO HUMANO
Andréa Eduarda*
Josenilda Santos
Rozinete Paixão
A história tem nos mostrado que o desenvolvimento humano está atrelado ao avanço das novas tecnologias. Os homens, ao longo de sua existência sentem necessidades de se comunicarem com outras pessoas, para transmitirem seus pensamentos, idéias, opiniões e conceitos sobre determinados assuntos do cotidiano.
Com a Revolução Industrial, que teve início no século XVIII, o mundo passou por transformações econômicas, sociais e tecnológicas. Essas transformações possibilitaram a criação e o aperfeiçoamento de produtos e métodos de trabalho que tornavam a vida das pessoas mais confortável e vantajosa. Com todo este avanço industrial e tecnológico, os artesãos passaram a ser operários e as pequenas oficinas foram substituídas por grandes fábricas. As pessoas que 50 anos atrás só podiam ter o essencial, hoje têm uma possibilidade de opções de produtos que facilita a vida moderna.
A tecnologia é surpreendente, fascinante e ao mesmo tempo assustadora, conforme afirma Milton Santos “[...] a comunicação se tornou possível à escala do planeta, deixando saber instantaneamente o que se passa em qualquer lugar [...]”. Diante disso as mudanças políticas, sociais, econômicas e culturais influenciam pessoas em todo o mundo, estando à rede de contatos tão interligada que poderão ocorrer eventos contemporâneos que colocam as pessoas em perigo e muitas vezes expostas ao “ridículo”.
A comunicação é a forma mais antiga de um povo dominar, estabelecer conceitos, valores, enfim, de impor-se diante de outros povos. O nosso ponto de vista, nossa forma de pensar e agir está ligada à condição social e intelectual que acumulamos ao longo de nossas vivências. Assim, não podemos imaginar o homem sem a tecnologia. Há uma grande dependência entre ambos.
È irônico saber que ao passo que a tecnologia da informação e da comunicação facilita e aproxima as pessoas, elas também inibem as pessoas. “[...], freqüentemente é mais fácil comunicar com quem está longe do que com o vizinho.” (Milton Santos). Percebemos que embora as Tic’s sejam úteis, acabam suprimindo o contato direto entre as pessoas.
Algumas organizações de direitos humanos, porém têm sido bem sucedidas em utilizar os recursos da internet para promover suas causas. Fato que pode ser confirmado por Thompson (1998: 77).
O uso dos meios de comunicação proporciona também novas formas de “ação à distância” que permitem que indivíduos dirijam suas ações para outros, dispersos no espaço e no tempo, como também respondem a ações e acontecimentos ocorridos em ambientes distantes.
Para exemplificar, tomemos o tratado internacional de proibição de minas terrestres, de 1997, que foi conseguido em parte com intervenção do uso do correio eletrônico, com o objetivo de mobilizar diversos grupos de apoio do mundo todo.
A tecnologia revolucionou a indústria da comunicação. O contato entre as pessoas e o acesso as informações pode ser realizado em praticamente qualquer lugar do mundo. Além disso, tornou-se, mas rápido, fácil e barato. Fato este que pode ser notado em muitos lares brasileiros, com uma pequena antena parabólica conectada a televisão é possível à acessibilidade da informação e da comunicação em qualquer parte do globo terrestre, onde aparentemente parece impossível a comunicação, ali está presente a tecnologia.
No entanto, todo este avanço faz com que as pessoas fiquem inseguras com relação às oportunidades de emprego, porque esse fato trouxe desemprego e conseqüentemente os salários foram reduzidos. As empresas se informatizaram, acelerando desta forma a competitividade entre outras empresas, com isso o quadro de funcionário é reduzido. Essas empresas acabam aderindo o modelo do panorama atual, contratar e demitir a todo o momento visando apenas a redução de custos, impostos e a recusa de pagar tempos de serviços dos mesmos.
TV X INTERNET: poderosa influência em nossa vida
Durante muito tempo a televisão foi o meio de comunicação e informação mais popular entre as pessoas. Hoje a internet ocupa também um lugar de destaque na vida dessas pessoas, no desenvolvimento econômico e cultural. O que ocorre, é que a maioria das pessoas dedica a maior parte do tempo à internet e a televisão, as relações de afetividade, diálogo com o outro são comprometidas, esse é o grande problema, não se tem mais tempo para a família. Cumpre ressaltar que as pessoas não estão satisfeitas com essa situação, alguns até se sentem culpados porque gastam tempo demais vendo televisão. Mas o que fazer? Como mudar de hábito?
Thompson (1998:89) mostra que
Para a grande maioria dos receptores a única maneira que eles têm para intervir na quase-interação é na decisão de sintonizar a televisão, de continuar com ela ligada, de prestar algum grau de atenção, de trocar de canal ou de desliga-lo quando não tiver nenhum interesse na sua programação.
Muitos dos programas que a televisão exibe, não são benéficos nem educativos. Muitos apresentadores de telejornal, por exemplo, usam o princípio do pânico, da tragédia. Quanto mais sangue, maior será a audiência. Dá-se mais prioridade as notícias “horripilantes” de crimes, acidentes e mortes, em detrimento de notícias não tão atrativas, como os problemas sociais, políticos e econômicos. Fato que define o interesse de seus propagadores, como menciona Levy, (1999: 203) “O ponto de vista propagado pelas mídias é ditado por seu interesse. Para interessar, deve anunciar notícias sensacionais, mostrar imagens espetaculares”.
A internet por outro lado, também proporcionam uma variedade de informações, mensagens que podem ser acessadas em qualquer lugar do planeta. Assim como a televisão atrai a atenção de milhares de espectadores por estar em constante movimento de imagens, a internet também desperta o interesse de muitos indivíduos pelo fácil acesso da informação e da redução de espaço tempo. Os maiores atrativos que ela oferece é a possibilidade de correspondência entre as pessoas de forma rápida e barata, além de contar com inúmeras formas de acesso, como fazer compras, ouvir ou baixar músicas. Comunicar-se com várias pessoas em tempo real, fazer pesquisas e etc.
A influência que as duas detém sobre as pessoas é alarmante, sendo alvo de constantes debates. Muitas pesquisas, artigos, e livros têm tratado do assunto. O ponto central de toda essa discursão é a dificuldade de provar até que ponto esses meio influencia na construção do sujeito, no rompimento de valores e na mudança de comportamentos.
Por isso, temos que reconhecer que há alguns viciados na internet que passam noites em frente ao seu computador, jogando RPGs na rede, participando de discussões on-line ou surfando interminavelmente de página em página.(Levy:1999,p.214).
Desse modo, enquanto os especialistas discutem os possíveis efeitos e influências da internet e da televisão em nossa visão de mundo, seria lícito nos questionarmos. Será que os programas de televisão e a internet têm realmente influenciado no nosso comportamento? Até que ponto deixamos nos levar pelas normas ditadas pela mídia? Cumpre ressaltar que deve haver um equilíbrio entre “nós” seres humanos e máquina, já que o mundo moderno não sobrevive mais sem essas tecnologias.
O que ocorre, infelizmente é que muitos indivíduos não sabem o que fazer com esse arsenal tecnológico. Não é só uma questão de desconhecimento, é falta de controle entre o humano e o material. O momento é de crise, pois o que está em jogo é a disputa do mais forte, e infelizmente a máquina vem se sobrepondo ao humano.
E embora sabendo que o capitalismo é o principal desencadeador e responsável por essa disputa, esse é um problema sobre o qual não avaliamos a gravidade. È um caminho sem volta, um jogo atrativo, desumano onde se visa formar pessoas consumistas, vazias de sentimentos, solitárias e sem identidade. Como ilustra OBERG, (2006, 147):
Atualmente, observamos grandes transformações nas relações sociais, provocadas pelas regras do mercado, que buscam a produção de bens de consumo de forma cada vez mais rápida, desenvolvendo para isso, tecnologias eletrônicas que permitam a aceleração da produção. Essa lógica que ignora o ritmo da natureza humana vem provocando um sentimento de desenraizamento do homem em relação ao tempo cada vez mais acelerado [...] Esse quadro tem sido apontado como uma das causas para o aumento de distúrbios ligados à solidão, à sensação de não pertencimento, falta de saída e pânico frente ao mundo, bem como as dificuldades no estabelecimento de contato e de comunicação.
Desse modo, muitas vezes frente à tecnologia da informação e da comunicação, as pessoas são consideradas como tabulas rasa, prontas para serem programadas, atendendo ao comando de seu instrutor no momento em que ele ordenar, existindo com isso um desrespeito com a capacidade humana. È importante destacar também que o homem está sendo vítima de suas criações, ou seja, o produtor está sendo dominado por seu produto. Isso lembra a história do filme “o planeta dos macacos”, onde os macacos é que dominavam os homens e não o contrário.
Sabemos que ninguém nasce pronto, somos “montados” a partir de costumes, tradições e aprendizagens ao longo de nossa existência. Dessa forma é necessário não deixar que as informações que chegam até nós, através da mídia não influencie completamente nosso comportamento. Tudo o que vemos através desse meio é um desejo de mostrar algo diferente, uma tentativa de criar falsos padrões de comportamentos e divulgar uma ascensão de sucesso que nem todos podem obter.
Porém, com o desenvolvimento da tecnologia da comunicação e da informação, seria contraditório negar os benefícios proporcionados por esses meios, como afirma Thompson: 1998. “Mensagens são transmitidas através de grandes distâncias com relativa facilidade, de tal maneira que indivíduos têm acesso à informação e comunicação provenientes de fontes distantes.”
Embora o desenvolvimento tecnológico esteja longe de ser ideal, o processo de integração global entre o homem e a tecnologia é irreversível. Podemos dizer que é improvável as pessoas jogarem fora à televisão, o computador e o celular, pois não se podem negar os benefícios dessa tecnologia. Mas como contornar os problemas que ela acarreta?
Tudo isso gera um motivo de preocupação, porque são gerados através deste fenômeno choques culturais e a disseminação de valores materialistas. Cumpre destacar que o intercâmbio de idéias é um aspecto importante da tecnologia, sendo a internet o ícone desse fenômeno. Porém, lamentavelmente esse meio não é usado apenas para divulgar culturas, informações e o intercâmbio comercial. Alguns sites promovem pornografias, racismo e a jogatina que pode destruir a vida das pessoas.
A invasiva tecnologia influi também nos desejos e esperanças das pessoas. Antes se buscava possuir os mesmos bens de consumo do vizinho ou amigo, hoje a tendência é copiar estilos de vida dos poderosos e famosos, que circulam no mundo das celebridades e no meio social. Como muitos empreendimentos da humanidade, o avanço tecnológico possui seu lado útil, mas também prejudicial. “O crescimento dos múltiplos canais de comunicação contribui significativamente para a complexidade e a imprevisibilidade de um mundo já extremamente complexo.” (THOMPSON, 1998:107).
Portanto, a tecnologia trouxe vantagens para alguns, pois, introduziu uma era de comunicações globais. No entanto, em vez de oferecer solução para as dificuldades já existente, se tornou parte do problema.
Quando se trata de compreender as linguagens, pode-se dizer que elas estabelecem o modo de viver, pensar e agir de uma sociedade e são responsáveis pela mudança de comportamento de muitas gerações. Hoje é evidente que essas mudanças ocorrem principalmente pela inserção dessas novas formas de linguagens em nossa vida diária, segundo aponta Fuhrmann (2001), as novas linguagens utilizadas e passadas para as pessoas, principalmente os jovens, é a do consumo onde tudo acaba sendo descartável. Os adolescentes são os maiores consumidores de aparelhos eletrônicos. Se observarmos a rotina de um jovem, percebemos que ele muda constantemente o canal da TV, e vai da internet para o celular, do som para o vídeo e isso sem falar que algumas vezes, eles fazem coisas ao mesmo tempo.
A tecnologia está a nossa volta, faz parte de nosso cotidiano, seja jovem ou adulto, não importa a idade. Ao olharmos a nossa volta só percebemos inúmeras possibilidades da modernidade. Da era da informática, do cartão de crédito ao carro super moderno que está sendo lançado a todo o momento. O grande problema é que tudo isso será descartado, ou seja, o que hoje é bom, útil e bonito, amanhã será feio, ruim e ultrapassado. Sendo conseqüentemente descartado e substituído por outro. Podemos perceber claramente isso na história de Lolo Barnabé de Eva Furnari (2002). Nessa história a autora evidencia a insatisfação do ser humano, pois nunca está feliz com o que possui, sempre está em busca do novo, do moderno. Atitude totalmente comum, mas, e aquilo que é descartado qual será o destino?
Alem disso, é necessário ter cautela e muito cuidado com o poder das novas formas de linguagens que impera sobre a sociedade, porque seu objetivo principal é manter as pessoas escravas de suas normas e alheios à realidade que os cerca. Quando os indivíduos estão envolvidos nesse processo, têm seu ego preenchido por fantasias que os tornam submissos. Através de valores, padrões considerados ideais, indestrutíveis, são reforçados as desigualdades entre as pessoas. Esse poder aliena a sociedade, de forma que os indivíduos não percebem o jogo que está por trás desses interesses. As pessoas são consideradas objetos manipuláveis, sem identidade, a coletividade deu lugar ao individualismo. “O que estamos preocupados em desenvolver não é qualquer luta e qualquer resistência, mas sim a luta contra a dominação [...] Kellner (2001)”.
O grande desafio frente às novas formas de linguagens está então em aprender a selecionar as informações. As pessoas têm que aprender separar o joio do trigo, observar o verdadeiro sentido que há por trás dessas linguagens. É preciso dessa forma, desenvolver habilidades que possibilite lidar com todas essas formas de linguagens, sem esquecer de analisar o valor que cada uma possui.
O homem não consegue viver sem a tecnologia, mas devemos considerá-la como uma roupa que vestimos quando temos necessidade, mas que a tiramos quando queremos. Não podemos permitir que aparelhos eletrônicos substituam os amigos, a família, os livros, em fim, que essa tecnologia não transforme o homem em insensível e solitário.
É importante ressaltar também que existe uma grande diferença entre aceitar as novas linguagens sem questioná-las e rejeita-las totalmente, alegando que nada têm de benéfico para oferecer. Como aponta Levy (1999:12).
Peço apenas que permaneçamos abertos, benevolentes, receptivos em relação à novidade. Que tentemos compreendê-la, pois a verdadeira questão não é ser contra ou a favor, mas sim reconhecer as mudanças qualitativas na ecologia dos signos, o ambiente inédito que resulta da extensão das novas redes de comunicação para a vida social e cultural.
De fato as novas linguagens podem reduzir o raciocínio lógico e o discernimento, condicionar às pessoas a seguir a coletividade. Esse condicionamento não valoriza o indivíduo como ser pensante, questionador, dotado de sentimentos, dificuldades, anseios e perspectivas de viver em uma sociedade democrática que valorize a subjetividade, de forma consciente e crítica.
Fala-se tanto em respeitar as diferenças, mas o que se percebe é um discurso contrário à prática. Muitas vezes as novas formas de linguagens, impõem à idéia de que somos todos iguais, consumimos os mesmos produtos e temos os mesmos comportamentos. Essa idéia faz com que sejamos alvo de disputa de capital, peças de um quebra-cabeça no qual possuímos a mesma forma e tamanho. É explícito o ideal estabelecido por essas linguagens, que são uma manifestação do capitalismo, elas visam desviar a atenção das pessoas dos problemas sociais, políticos, culturais e existenciais. Essa manifestação é perversa porque explora e subtrai aquilo que distingue o homem de outros animais, a saber, sua razão, singularidade e subjetividade. “A cultura veiculada pela mídia divulga imagens e cenas poderosas em termos de identificação, que podem influenciar diretamente o comportamento, criando modelos de ação, moda e estilo”. Kellner (2001:142).
Diante disso, cabe nos questionarmos: quais são os cuidados envolvidos no uso dessas novas formas de linguagens? Ao estar se familiarizando com essas linguagens, você estará mais apto a lidar com elas, percebendo desta forma os vários sentidos que são proporcionados por estes novos meios de comunicação?
No entanto, não queremos ter a visão estreita, reduzida, apenas levar em consideração que o uso dessas linguagens deve ser analisado, pensado e que as pessoas deverão usá-las com o objetivo de melhoria na qualidade de vida. Infelizmente algumas pessoas são como esponjas absorvem tudo que lhes é oferecido, sem questionar. Deve-se deixar claro que estas linguagens só terão algum valor real, se forem constantemente avaliadas, separando o lado negativo do positivo.
Os seres humanos se comunicam por diversos tipos de linguagens, inclusive a imagética. Conforme aponta Duarte (2006), as imagens têm sua importância desde o “descobrimento” do Brasil até os nossos dias atuais. No início o Brasil era representado através de imagens, o que contribuía para definir a identidade do país, era também uma espécie de divulgação das paisagens brasileiras. Esses trabalhos foram tão importantes que até hoje são tidos como documentos preciosos para a investigação da história do país.
Há uma diversidade de imagens, e todas elas expressam alguma coisa, comunicam, dialogam, ou se impõem frente à sociedade. Pode ser uma fotografia, uma pintura, uma imagem televisiva ou via internet. Essas imagens ganharam força a partir do século XX, com o nascimento da internet. “Imagens de outros modos de vida constituem um recurso que os indivíduos têm para julgar criticamente suas próprias condições de vida”. Thompson (1998:153).
Desse modo, as imagens criam novas formas de apreciação de cultura, conhecimentos e lazer, modificam comportamentos e costumes familiares. Embora a internet seja um dos principais veículos de transmissão de imagens, a televisão ainda alcança o maior número de pessoas. Vale ressaltar que a produção audiovisual da televisão é questionada por ser considerada de má qualidade, mas há também programas de valor artístico, social, educativo. O que se deve fazer é uma seleção, como já foi mencionado anteriormente.
As imagens exibidas pela televisão chegam a locais de difícil acesso e em tempo real, via satélite. Isso mostra que: “Uma das conquistas técnicas da televisão é a sua capacidade de utilizar uma grande quantidade de deixas simbólicas, tanto de tipo auditivo quanto visual”. Thompson (1998:157).
Atualmente são inúmeras ofertas e fontes de imagens, por isso surge à dificuldade em julgá-las, para distinguir o real do fantasioso. “Textos e programas da mídia repletos de imagens estereotipadas, mensagens tranqüilizadoras, etc, podem de fato ser recebidos pelos receptores e usadas de maneira a mais inesperada”. Thompson, (1998:186).
Assim, para saber o que está por trás de cada imagem e qual o seu verdadeiro objetivo ideológico e político, tanto a educação familiar quanto a escolar deve estimular as crianças e os jovens a desenvolverem a tarefa de qualificar a imagem, interpretando aquilo que é exposto. Essa ação auxilia na formação ética e desenvolve o raciocínio crítico de jovens e adultos, possibilitando desta forma o hábito seletivo.
Em muitas imagens divulgadas pela mídia a vida é banalizada e a fantasia se confunde com a realidade. Esse é o grave problema que algumas imagens apresentam, ou são usadas com tal objetivo. Por isso, é fundamental que escola e família direcionem e treinem as pessoas para diferenciar a imagem de acordo com seu sentido e conteúdo. Essas imagens são usadas por políticos, publicitários, comerciantes, jornalistas, como um forte poder de persuasão, que atua como influenciador e modificador do modo de pensar, agir, e conseqüentemente provoca mudança de comportamentos. Assim Bourdieu (2002:159), diz que: “a política é o lugar, por excelência, da eficácia simbólica, ação que se exerce por sinais capazes de produzir coisas sociais e, sobretudo, grupos”.
Essas imagens também podem ser usadas de forma positiva em projetos sociais, como por exemplo, em campanhas para incentivar as pessoas a não dirigirem embriagadas. A maioria das imagens atua como decifrador de enunciados e diz o indizível. Tem sentido aberto, age como facilitadora para a compreensão de uma realidade, de um momento histórico, além de mostrar as visões de um povo em determinada época.
Deve-se, no entanto, ter cuidado porque algumas imagens transformam as pessoas, principalmente a televisiva, que constrói na maioria das vezes um mundo baseado em fantasias. E mostra um mundo no qual as pessoas são sempre felizes, belas e bem sucedidas e os problemas pessoais são resolvidos facilmente. Busca-se manter os cidadãos antenados num mundo de facilidades, onde não é necessário nenhum esforço intelectual, tudo vem pronto. Essas imagens são usadas também para rotular as pessoas de forma negativa.
Diante de tudo que foi exposto não poderíamos deixar de ressaltar a importância da imagem, pois elas são passíveis de compreensão, por parte de todos aqueles dispostos a interpretá-las. É importante ainda, mencionar que elas devem ser trabalhadas na prática pedagógica, do ensino infantil ao superior. Essas imagens surgem como alternativa de despertar no aluno a criatividade e o censo crítico.
Quanto à escola deve-se buscar o equilíbrio entre educação e tecnologia da informação e comunicação. Ao passo que a educação nos ensina como pensar, a tecnologia muitas vezes nos diz o que pensar. O papel do educador nesse processo todo é tentar estabelecer um diálogo entre os alunos, de forma que se discuta o lado positivo e o negativo da tecnologia da informação e da comunicação. De acordo com Montoam (2003), “O uso dessas novas tecnologias da informação e da comunicação são desafios para a inclusão escolar, pois elas provocam mudanças significativas no contexto educacional, rompendo com métodos tradicionais de ensino e a aprendizagem”.
Em meio a tudo isso a escola, considerada como grande produtora de conhecimentos, responsável pela formação dos indivíduos e conseqüentemente da sociedade, perde sua força e hegemonia, pois já não é a única instituição que transmite conhecimento. Ultimamente aprende-se em qualquer lugar, nas lan hauses, igrejas, etc. Diante de todas essas formas de linguagens, o professor vem perdendo seu espaço, porque não consegue se engajar e acompanhar essas novas tecnologias. Depositando no livro toda expectativa de uma aula bem sucedida. O problema é preocupante como afirma Levy, (1993:89).
Apesar de diversas experiências positivas sustentadas pelo entusiasmo de alguns professores, o resultado global é decepcionante. Por quê? É certo que a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar, ditar do mestre, na escrita manuscrita do aluno e, há quatro séculos, em um uso moderado da impressão. Uma verdadeira integração da informática [...] não pode ser feita em alguns anos.
Todas as mudanças que ocorrem na sociedade, inserem-se também no espaço educacional. Ocorre que a escola não se desenvolveu ao longo destes anos. Ainda se encontra presa a velhos métodos, que não estimulam os jovens pertencentes a essa nova geração virtual. O professor em meio a tudo isso encontra-se em dificuldades: como incluir os jovens ao contexto escolar, se eles já não mostram nenhum interesse por essa instituição?
Uma saída para isso seria o envolvimento dos professores com essas tecnologias, mas é envolvimento, mesmo. Procurar observar de perto seus alunos questionar o que eles buscam na internet para poder auxiliá-los quando necessário, o professor tem um grande papel que é o de orientador. Conforme afirma Perrenound (2003):
[...] Nenhuma tecnologia, nenhuma reforma estrutural poderá fazer efeito sem a mediação pedagógica. Mas esta, para ganhar eficácia, precisa ser confiada a professores, cada vez mais qualificados, com ampla cultura na área das ciências humanas, forte orientação para as práticas reflexivas e capacidade de inovação.
O ambiente de aprendizagem que utiliza a internet como forma de pesquisa, ainda não é utilidade de todos. Os professores não estão preparados para dá conta desta demanda. Usar a internet como ferramenta de trabalho é um processo que deverá ser vencido urgentemente, pois, a tecnologia não espera.
Com tudo que foi exposto percebemos que tudo na vida passa por transformações, e na escola não pode ser diferente, pois, seu objetivo é formar cidadãos para a vida. Devendo atuar de forma significativa para incluir esses sujeitos no contexto tecnológico, aliás, a escola deveria ser a propulsora nas discursões que envolve tais tecnologias, e não motivo delas.
Portanto, é necessário que todo o corpo docente das escolas brasileiras reflita sobre o seu papel na sociedade frente a todas essas mudanças que vem ocorrendo, cumprindo com o seu papel, e buscando resignificar seus conceitos, devendo desta forma incluir novas formas de comunicação que despertem o interesse dos maiores interessados no processo de ensino-aprendizagem.
De forma geral não há como negar que a tecnologia faz parte do desenvolvimento humano, mas ressalta-se também que essa tecnologia não ocorre na mesma proporção que esse desenvolvimento. Ela chegou a um estágio que está superando a necessidades dos indivíduos. Contudo, é inegável que sem tecnologia não haveria desenvolvimento.
REFERÊNCIAS:
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LEVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. 1ª ed. São Paulo: Ed. 34, 1999.
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