sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A internet faz parte do nosso cotidiano!!!
Rosânia Santana

Os alunos estão on-line. E agora professores?


Neste exato momento, milhões de alunos estão conectados à internet ou assistindo televisão. O que eles estão fazendo? E como nós, professores podemos auxiliá-los?
É verdade, que pode parecer que quando o assunto é televisão ou internet, seu aluno é o profissional; e você, quase sempre o leigo. Mesmo assim, você pode aprender o que é necessário para ajudar seus alunos, e não é preciso saber tudo sobre tecnologia para fazer isso.

Aqui vão algumas dicas:
  • acompanhe os avanços tecnológicos - procure se informar sobre o que é internet e como ela funciona.
  • esteja aberto a dicas e sugestões dos alunos sobre quais são os melhores sites.
  • mostre aos seus alunos os programas educativos exibidos na televisão.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

As tecnologias e o desenvolvimento humano


Adriana Santos da Silva ¹
Cleidiane Gomes Oliveira
Rosânia Rosa de Santana

Devido à constante insatisfação com o meio onde vive, o ser humano busca nas tecnologias o suporte para atender as suas necessidades.
A sociedade capitalista que leva as pessoas a acumular funções, contribui para que sejam criados novos mecanismos capazes de distribuir melhor o tempo, oferecendo comodidade e satisfazendo as exigências do mundo pós-moderno. Trapscott (1999) diz que: “Está ocorrendo uma mudança fundamental no papel da tecnologia nos negócios e na sociedade. Isso afeta praticamente tudo: a economia, os negócios, as famílias e a vida social.”
A tecnologia da informação é uma ferramenta essencial para as pessoas da contemporaneidade. Isso é observado através de diversos meios de comunicação como a televisão, o rádio e principalmente a internet. Para Lévy (1999, p.32) “As tecnologias digitais surgiram, então, como a infra-estrutura do Ciberespaço, novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e transação, mas também novo mercado da informação e do conhecimento.”
A internet mudou muito a rotina do homem, oferecendo praticidade e facilidade, para executar tarefas que antes dependia de um tempo maior para serem realizadas. Além disso, podemos conferir extratos bancários e fazer transferências entre contas, gravar e ouvir músicas, pagar títulos (duplicatas, contas de água, luz e telefone), realizar pesquisas escolares, além de nos beneficiar com as notícias em primeira mão. Tudo isso nos faz economizar tempo e nos proporciona maior comodidade.
Outro aspecto importante a ser observado é que atualmente dispomos de mecanismos capazes de encurtarem as distâncias entre as pessoas, no que diz respeito ao espaço geográfico, sendo os sites de relacionamentos os responsáveis pelas longas conversas entre amigos ou familiares, que se encontra em lugares diferentes. Existem até casos de pessoas que se conhecem virtualmente e passam a si relacionar, gerando a partir daí uma união duradoura.
Hoje, não estar inserido no processo de tecnologia, isto é, não estar conectado com o mundo significa estar excluído de uma sociedade capitalista e conseqüentemente de uma boa colocação no mercado de trabalho. Infelizmente, esse é um dos pontos negativos que a tecnologia pode trazer, ao excluir àqueles que não detêm o conhecimento necessário para manuseá-la estará agravando as desigualdades sociais.
Entre os inúmeros benefícios que as tecnologias podem nos proporcionar é a facilidade com que as pessoas atualmente têm de adquirir determinados livros pela internet. É um avanço extremamente importante. Hoje com o impactante e acelerado desenvolvimento tecnológico, tornou-se muito mais prático adquirir determinadas obras nas bibliotecas virtuais, nas quais podemos encontrar muitos livros e documentos em outras línguas. Ao contrário das antigas bibliotecas que na maioria das vezes eram restritas às pessoas que possuíam maior poder econômico, esse modelo digital é democrático.
Esse avanço tecnológico possibilita as pessoas que não têm acesso a publicações de papel, alternativa de ler e transformar suas vidas, pois esse novo modelo de biblioteca proporciona a interação entre leitor e obra. Isso não acontece com as bibliotecas convencionais, porque os livros são independentes uns dos outros. As bibliotecas virtuais permitem que as pessoas socializem seu ponto de vista a respeito de determinada obra, possibilitando assim a interação de conhecimentos. Kevin Kelly (2006) tece, a esse respeito, a seguinte consideração:
Digitalizadas, as obras deixam suas carcaças e se entrelaçam. A inteligência coletiva de uma biblioteca nos permite ver coisas que não enxergamos em um livro sozinho, isolado. É por isso que, uma vez em formato digital, a leitura se torna uma atividade comunitária. Marcadores de texto podem ser divididos com amigos leitores. Anotações feitas nas margens podem ser transmitidas e bibliografias trocadas. Você pode receber um aviso de seu amigo dizendo que ele marcou um trecho de uma obra que você adora.

A imagem e seus múltiplos sentidos

As imagens podem ter múltiplos sentidos que precisam ser decifrados por aqueles que observam. É preciso estar atentos aos vários sentidos que as imagens nos mostram principalmente o que está implícito, pois podemos perceber se existe ou não aversões no que a mídia está nos oferecendo. A respeito desse assunto Kellner (2001, p.329) faz o seguinte comentário:
A propaganda e outras imagens da cultura da mídia são multidimensionais, polissêmicas e ideologicamente codificadas, abertas a várias leituras, capazes de expressar a mercadorização da cultura e as tentativas do capital de colonizar a totalidade da vida, desde o desejo até a sua satisfação.
A nova linguagem que vem surgindo na contemporaneidade atrelados a diversos meios de comunicação, nos faz refletir sobre quais os interesses que há por traz das mensagens passadas para o público, quais os reais sentidos e ideologias.
É importante salientar que os meios mediáticos fazem uso de mecanismos que visam instruir, seja através de programas educativos ou até mesmo canais de TV especializados em passar mensagens de incentivos à cultura e a cidadania. Em algumas programações, por exemplo, percebe-se que em meio a tantos assuntos irrelevantes podem-se observar mensagens instrutivas mesmo que essas mensagens estejam implícitas. Milton Santos diz que: “(...) a informação atual tem dois rostos, um pelo qual ela busca instruir, e um outro, pelo qual ela busca convencer. Este é o trabalho da publicidade”.
Por outro lado, entre as tantas linguagens da comunicação, a propaganda das idéias pode ser uma das mais nocivas, pois é mais sutil do que aquelas imagens que tem como objetivo levar as pessoas a comprar determinado produto. As imagens com fins ideológicos têm como meta, doutrinar as pessoas, impor determinado ponto de vista que na maioria das vezes tem como objetivo favorecer certa classe social ou partido. Podemos encontrar um exemplo claro ao observarmos que nas propagandas de bebidas alcoólicas sempre contém pessoas bonitas, saudáveis e sorridentes. Ao analisarmos de forma coerente podemos perceber que o objetivo maior desse tipo de propaganda é ganhar dinheiro e não fornecer bem estar para quem ingerir, pelo contrário, proporcionará dependência e inúmeros problemas de saúde. Sendo os donos das empresas de bebidas os únicos beneficiados nesse processo de compra e venda.
É importante ressaltarmos que a característica maior das mensagens veiculadas pelos meios de comunicação em geral tem como objetivo não dirigir ao raciocínio das pessoas e sim mexer com o lado emocional, aguçando o lado das fantasias e sensações, sendo assim mais fácil de manipulá-las.
Isso é notório em ano de eleições quando candidatos são fotografados ou filmados com crianças no colo, passando a imagem de um homem simpático e bondoso. De certa forma esse gesto mexe com o emocional daqueles que estão vendo aquela cena, e mesmo não se dando conta, estão sendo induzidos a dar preferência aqueles políticos e a partir desse momento podemos notar como as mensagens camufladas têm um enorme poder de persuasão. Podemos associar essa afirmação a de Kellner (2001, p.10):
Afirmamos que a cultura da mídia é um terreno de disputa no quais grupos sociais importantes e ideologias políticas rivais lutam pelo domínio, e que os indivíduos vivenciam essas lutas através de imagens, discursos, mitos e espetáculos veiculados pela mídia.
Infelizmente, não devemos esquecer que a mídia usa muito de distorções dos fatos, no qual não se sabe o que realmente é verdade, meio-verdade ou mentira. Criam histórias inteiramente mentirosas ou meio verdadeiras para convencer as pessoas de alguma idéia, e para alcançar seus objetivos acabem deixando de lado informações importantes.
As imagens que chega até nós apresentam-se aparentemente coerente, porém há uma fragmentação na construção dessas imagens, pois são recortadas e encaixadas, trazendo consigo, na maioria das vezes, todo um lado ilusório e fantasioso.
A partir do momento que a mídia leva aqueles que observam essas imagens a ver apenas o superficial, há uma manipulação da realidade. Essa falsa realidade criada distorce o verdadeiro sentido de determinadas mensagens e só é mostrado aos telespectadores o que interessa aos responsáveis por essas produções midiáticas. E se esse telespectador não dispuser de mecanismos que vise perceber essa manipulação poderá ser levado para um mundo de ilusão. Segundo Kellner (2001, p.10): “Para quem viveu imerso, do nascimento à morte, numa sociedade de mídia e consumo é, pois, importante aprender como entender, interpretar e criticar seus significados e suas mensagens.”
A imagem tem uma grande capacidade de persuadir as pessoas. Algumas podem alienar principalmente aqueles indivíduos menos esclarecidos, em função de um resultado, impondo costumes, pensamentos entre outras coisas. Com a linguagem persuasiva, elas levam muitos a acreditar profundamente em tudo aquilo que é mostrado pelos meios de comunicação, seja através de montagens de fotografias ou equipamentos audiovisuais. Segundo Kellner (2001, p.303):
As pessoas assistem com regularidade a certos programas e eventos; há fãs das várias séries e estrelas com um grau incrível de informação e conhecimento sobre o objeto de sua fascinação; as pessoas realmente modelam comportamentos, estilos e atitudes pelas imagens da televisão; os anúncios por ela veiculados de fato desempenham certo papel na manipulação da demanda do consumidor.
A imagem chega a influenciar de tal forma quem as observa que induz a mudar de pensamentos e atitudes. Isso acaba provocando uma alienação coletiva, ou seja, afeta não só uma ou duas pessoas, mas até mesmo uma comunidade. Percebemos que há todo um jogo que tenta convencer as pessoas a aderir certos pontos de vista, comportamentos, estilos, etc.
Hoje principalmente os jovens estão cada vez mais vulneráveis a este processo de alienação. Isso pode ser observado no que diz respeito a imitar artistas famosos. Essa situação torna-se preocupante quando esses artistas usam suas imagens para convencer algumas pessoas sobre determinadas idéias, fazendo afirmações errôneas que poderá até prejudicar seus fãs. Torna-se perigoso no momento em que alguns desses famosos através de músicas ou discursos fazem apologias ao crime, a violência, as drogas, etc.
É interessante se observar como algumas imagens podem manipular a realidade, exemplo disso podemos encontrar em telejornais onde muitas das reportagens camuflam a verdadeira realidade de certo local ou situação, mostrando apenas o que a emissora de televisão quer que o telespectador veja e não o que realmente ele precisa ver. Diante desses problemas Milton Santos é taxativo e coerente quando afirma que:
O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. Isso tanto é mais grave porque, nas condições atuais da vida econômica e social, a informação constitui um dado essencial e imprescindível.
A ignorância do público diante de informações de veracidade duvidosa, veiculadas em telejornais, revistas, página de jornal impresso, é notória e preocupante, pois muitos indivíduos acabam ficando “cegos” diante de informações, muitas vezes confusos não dando chance de o telespectador selecioná-las. O pouco acesso a variados meios de comunicação também contribui para que as pessoas menos esclarecidas sejam persuadidas com maior facilidade. Percebe-se que determinadas mensagens adotada como verdade absoluta ao serem analisadas de forma critica podemos observar que se trata de uma informação não verídica.
Isso acontece porque já recebemos idéias prontas e acabamos não sentindo necessidade de refletir se o que está sendo mostrado é relevante ou não.
O poder de convencimento da mídia em especial a televisão, aliou-se ao capitalismo e tudo que é mostrado tem um objetivo maior que é aumentar o poder financeiro das grandes empresas. E em busca desse poder vale tudo, até mesmo fazer o público se tornar refém de uma mídia ditadora que impõe comportamentos, dita padrões a serem seguidos. Isso faz com que aqueles que não conseguem acompanhar esses padrões se sintam excluídos, aumentando ainda mais o estresse e a frustração.
Para que se convença o público a aderir idéias e pensamentos de determinado meio midiático fazem-se pesquisas sobre quais os anseios do público, ou seja, pesquisa-se sobre costumes e cultura do público a ser atingido. Tudo que nos é oferecido pelos meios midiáticos não são passados aleatoriamente. Por traz há todo um trabalho minucioso para que se obtenham bons resultados e uma boa aceitação por parte das massas.
Por isso é importante que se tenha um raciocínio perspicaz e rápido no que diz respeito às interpretações de mensagens veiculadas pelos meios de comunicação. Mas, infelizmente muitas pessoas ainda não dispõem desses mecanismos para avaliar tudo que é mostrado como notícia ou publicidade.

Escola e Tecnologia: uma parceria de resultados

A escola tem um papel fundamental na inserção das novas tecnologias na vida do ser humano. É nas instituições de ensino que o cidadão desde criança precisa aprender a lidar com as novas tecnologias, principalmente da informação. No entanto a escola ainda não está preparada para ensinar os alunos com a ajuda dessas ferramentas. Além de haver poucos investimentos nas estruturas escolares, os professores ainda não estão capacitados para transmitir essa nova linguagem.
Sabemos que a escola não pode ignorar o que se passa no mundo. As novas tecnologias de informação e comunicação transformam não só nossas maneiras de comunicar, mas também de trabalhar, decidir, pensar, etc.
O aluno precisa saber como e quando usar essas tecnologias e a partir daí fazer reflexões. É na escola que a criança e o jovem aprendem a ter uma visão critica sobre determinados assuntos, principalmente aqueles abordados pela mídia. É importante que seja discutido em sala de aula o valor que as imagens têm, levando o aluno a ter uma visão crítica daquilo que está sendo passado, ou seja, levá-los a separar “o joio do trigo”.
È notório que o ensino público é precário e que muitas vezes não oferece nem os recursos básicos, limitando apenas o conhecimento do professor ao uso do giz.
A implantação dessas tecnologias é uma tarefa difícil, mas também uma nova maneira de manter o aluno e a escola dentro de uma mesma realidade, possibilitando os educadores e alunos novas formas de ensinar e aprender. A respeito desse assunto e com muita propriedade Mantoan (2003) diz que:
Tecnologias que provocam interatividade entre os usuários permitem confrontação coletiva e construção de conhecimentos baseados em teias interdisciplinares e na liberdade de expressão, na pluralidade de idéias e na cooperação.
Só o professor falando em sala de aula não é suficiente para chamar atenção do aluno, ele precisa de recursos, materiais didáticos e alternativos. Existem algumas escolas que possuem laboratórios de informática e que não utilizam por não terem professores dessa área, deixando uma ferramenta de tamanha importância em desuso. Só a ferramenta não resolve o problema, para isso é preciso que haja profissionais capacitados. Essa interação com as tecnologias estimula e facilita o processo de ensino aprendizagem. Porém o que se observa é que infelizmente a inclusão das tecnologias da informação nas escolas brasileiras ainda é muito lenta.
Outro fator a ser destacado, são alguns docentes que às vezes por não conhecer determinada tecnologia acaba abolindo-a de suas atividades profissionais, impedindo que os alunos usufruam desses meios para melhoria do aprendizado. Os professores têm medo de encarar o novo e acaba ficando ultrapassado diante da visão pós-moderna, não percebendo o quanto está deixando de expandir seus conhecimentos.
A tecnologia da comunicação e da informação surge como um auxiliar para o processo de ensino e aprendizagem, tornando-o mais dinâmico, aberto e levando o aluno e o professor a troca de experiências.
Alguns professores não admitem que seus alunos adquiram novos conhecimentos através de outros meios. A internet, por exemplo, faz com que os alunos multipliquem cada vez mais seus conhecimentos, porém nem sempre conseguem inseri-los na sala de aula. O professor fica inseguro, pois antes ele era o único detentor do saber e agora o aluno através de suas experiências também possui essa capacidade de transmitir conhecimentos.
A quebra de fronteiras geográficas trazidas pela globalização faz com que se torne impossível o domínio do conhecimento. Esses conhecimentos adquiridos são infinitos e o professor não está sabendo selecioná-los e separá-los para então auxiliar seu aluno. Para Mantoan (2003):
O professor precisa viver o desafio de aprender pela descoberta, pela experimentação, com seus alunos, diante de situações que problematizam a sua atuação, pois, do contrário, continuará reproduzindo em suas turmas o que queremos que seja abolido – conhecer antes para aplicar depois.
A falta de preparo do professor leva-o às vezes a reprimir seu aluno por trazer novas idéias para sala de aula, achando que isso poderá tirar a atenção dos outros alunos ou simplesmente acha irrelevante. Isso acaba impedindo a troca de experiência entre professor e aluno. Dificultando ainda mais a interação, a interdisciplinaridade tão defendida pelo novo modelo educacional.
Se o professor não procurar aprender usar essas tecnologias dentro da sala de aula, o trabalho não surtirá efeito. Através de cursos isolados não obterão êxitos, pois não estarão levando em consideração as reais necessidades de cada escola. O aprendizado visto na teoria, de certa forma irá entrar em contradição com a prática, porque nem tudo que esse professor aprender nesses cursos poderá ser usado em sala de aula dependerá da qualidade dos equipamentos disponíveis nas escolas, da realidade e limitações de cada aluno.
Os computadores que chegam às escolas não estão sendo usados para estimular a criação. São usados como mecanismo fornecedor de conhecimentos prontos. Na maioria das vezes não há um estímulo para que os alunos criem e procurem aprender com essa tecnologia de grande utilidade. Segundo Mantoan (2003):
Sabemos que a existência de computadores na escola não é suficiente para desencadear toda a gama de possibilidades que esse equipamento possa trazer a educação, sobretudo em seus níveis básicos. Dificilmente se associa a existência dos computadores na escola à idéia de co-criação do conhecimento, interdisciplinaridade, aprendizagem colaborativa, ampliação de experiências de comunicação e expressão entre aprendizes e professores.
É preciso que o professor esteja atento a essa ferramenta e reconheça as outras inúmeras utilidades, para assim possibilitar a interação e a troca de conhecimentos.
Diante de tudo que foi exposto acima a respeito das tecnologias da informação e comunicação é válido ressaltar que apesar dessas tecnologias fornecerem alguns malefícios como já foi explicitado no decorrer desse artigo, por outro lado elas são extremamente importantes na evolução e no desenvolvimento do homem.
Desde muito tempo, as formas de comunicação sejam gestuais ou os mais recentes desenvolvimentos da tecnologia computacional, junto com a produção, o armazenamento e a circulação de conteúdos simbólicos têm sido aspectos primordiais da vida social.

Referências Bibliográficas:
THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: Uma teoria social da mídia; Tradução de Wagner de Oliveira Brandão. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed. 34, 1999.
KELLNER, Douglas. A cultura da Mídia – estudos culturais: identidade política entre o moderno e o pós-moderno; Tradução de Ivone Castilho Beneditti. Bauru, SP: EDUSC, 2001.
TRAPSCOTT, Don. Geração Digital. A crescente e irreversível ascensão da geração net; Tradução: Ruth Gabriela Bohr. São Paulo, Makron Books, 1999.
MANTOAN, Maria Tereza Eglér. O Ciberespaço da inclusão. Revista Pátio Ano VII Nº 26 Mai/Jul 2003.
KELLY, Kevin. A Biblioteca Universal. Revista Veja Especial Tecnologia Ano 39 Nº 71 Julho 2006.

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO X DESENVOLVIMENTO HUMANO

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO X DESENVOLVIMENTO HUMANO


Andréa Eduarda*
Josenilda Santos
Rozinete Paixão


A história tem nos mostrado que o desenvolvimento humano está atrelado ao avanço das novas tecnologias. Os homens, ao longo de sua existência sentem necessidades de se comunicarem com outras pessoas, para transmitirem seus pensamentos, idéias, opiniões e conceitos sobre determinados assuntos do cotidiano.
Com a Revolução Industrial, que teve início no século XVIII, o mundo passou por transformações econômicas, sociais e tecnológicas. Essas transformações possibilitaram a criação e o aperfeiçoamento de produtos e métodos de trabalho que tornavam a vida das pessoas mais confortável e vantajosa. Com todo este avanço industrial e tecnológico, os artesãos passaram a ser operários e as pequenas oficinas foram substituídas por grandes fábricas. As pessoas que 50 anos atrás só podiam ter o essencial, hoje têm uma possibilidade de opções de produtos que facilita a vida moderna.
A tecnologia é surpreendente, fascinante e ao mesmo tempo assustadora, conforme afirma Milton Santos “[...] a comunicação se tornou possível à escala do planeta, deixando saber instantaneamente o que se passa em qualquer lugar [...]”. Diante disso as mudanças políticas, sociais, econômicas e culturais influenciam pessoas em todo o mundo, estando à rede de contatos tão interligada que poderão ocorrer eventos contemporâneos que colocam as pessoas em perigo e muitas vezes expostas ao “ridículo”.
A comunicação é a forma mais antiga de um povo dominar, estabelecer conceitos, valores, enfim, de impor-se diante de outros povos. O nosso ponto de vista, nossa forma de pensar e agir está ligada à condição social e intelectual que acumulamos ao longo de nossas vivências. Assim, não podemos imaginar o homem sem a tecnologia. Há uma grande dependência entre ambos.
È irônico saber que ao passo que a tecnologia da informação e da comunicação facilita e aproxima as pessoas, elas também inibem as pessoas. “[...], freqüentemente é mais fácil comunicar com quem está longe do que com o vizinho.” (Milton Santos). Percebemos que embora as Tic’s sejam úteis, acabam suprimindo o contato direto entre as pessoas.
Algumas organizações de direitos humanos, porém têm sido bem sucedidas em utilizar os recursos da internet para promover suas causas. Fato que pode ser confirmado por Thompson (1998: 77).
O uso dos meios de comunicação proporciona também novas formas de “ação à distância” que permitem que indivíduos dirijam suas ações para outros, dispersos no espaço e no tempo, como também respondem a ações e acontecimentos ocorridos em ambientes distantes.
Para exemplificar, tomemos o tratado internacional de proibição de minas terrestres, de 1997, que foi conseguido em parte com intervenção do uso do correio eletrônico, com o objetivo de mobilizar diversos grupos de apoio do mundo todo.
A tecnologia revolucionou a indústria da comunicação. O contato entre as pessoas e o acesso as informações pode ser realizado em praticamente qualquer lugar do mundo. Além disso, tornou-se, mas rápido, fácil e barato. Fato este que pode ser notado em muitos lares brasileiros, com uma pequena antena parabólica conectada a televisão é possível à acessibilidade da informação e da comunicação em qualquer parte do globo terrestre, onde aparentemente parece impossível a comunicação, ali está presente a tecnologia.
No entanto, todo este avanço faz com que as pessoas fiquem inseguras com relação às oportunidades de emprego, porque esse fato trouxe desemprego e conseqüentemente os salários foram reduzidos. As empresas se informatizaram, acelerando desta forma a competitividade entre outras empresas, com isso o quadro de funcionário é reduzido. Essas empresas acabam aderindo o modelo do panorama atual, contratar e demitir a todo o momento visando apenas a redução de custos, impostos e a recusa de pagar tempos de serviços dos mesmos.



TV X INTERNET: poderosa influência em nossa vida

Durante muito tempo a televisão foi o meio de comunicação e informação mais popular entre as pessoas. Hoje a internet ocupa também um lugar de destaque na vida dessas pessoas, no desenvolvimento econômico e cultural. O que ocorre, é que a maioria das pessoas dedica a maior parte do tempo à internet e a televisão, as relações de afetividade, diálogo com o outro são comprometidas, esse é o grande problema, não se tem mais tempo para a família. Cumpre ressaltar que as pessoas não estão satisfeitas com essa situação, alguns até se sentem culpados porque gastam tempo demais vendo televisão. Mas o que fazer? Como mudar de hábito?
Thompson (1998:89) mostra que
Para a grande maioria dos receptores a única maneira que eles têm para intervir na quase-interação é na decisão de sintonizar a televisão, de continuar com ela ligada, de prestar algum grau de atenção, de trocar de canal ou de desliga-lo quando não tiver nenhum interesse na sua programação.
Muitos dos programas que a televisão exibe, não são benéficos nem educativos. Muitos apresentadores de telejornal, por exemplo, usam o princípio do pânico, da tragédia. Quanto mais sangue, maior será a audiência. Dá-se mais prioridade as notícias “horripilantes” de crimes, acidentes e mortes, em detrimento de notícias não tão atrativas, como os problemas sociais, políticos e econômicos. Fato que define o interesse de seus propagadores, como menciona Levy, (1999: 203) “O ponto de vista propagado pelas mídias é ditado por seu interesse. Para interessar, deve anunciar notícias sensacionais, mostrar imagens espetaculares”.
A internet por outro lado, também proporcionam uma variedade de informações, mensagens que podem ser acessadas em qualquer lugar do planeta. Assim como a televisão atrai a atenção de milhares de espectadores por estar em constante movimento de imagens, a internet também desperta o interesse de muitos indivíduos pelo fácil acesso da informação e da redução de espaço tempo. Os maiores atrativos que ela oferece é a possibilidade de correspondência entre as pessoas de forma rápida e barata, além de contar com inúmeras formas de acesso, como fazer compras, ouvir ou baixar músicas. Comunicar-se com várias pessoas em tempo real, fazer pesquisas e etc.
A influência que as duas detém sobre as pessoas é alarmante, sendo alvo de constantes debates. Muitas pesquisas, artigos, e livros têm tratado do assunto. O ponto central de toda essa discursão é a dificuldade de provar até que ponto esses meio influencia na construção do sujeito, no rompimento de valores e na mudança de comportamentos.
Por isso, temos que reconhecer que há alguns viciados na internet que passam noites em frente ao seu computador, jogando RPGs na rede, participando de discussões on-line ou surfando interminavelmente de página em página.(Levy:1999,p.214).
Desse modo, enquanto os especialistas discutem os possíveis efeitos e influências da internet e da televisão em nossa visão de mundo, seria lícito nos questionarmos. Será que os programas de televisão e a internet têm realmente influenciado no nosso comportamento? Até que ponto deixamos nos levar pelas normas ditadas pela mídia? Cumpre ressaltar que deve haver um equilíbrio entre “nós” seres humanos e máquina, já que o mundo moderno não sobrevive mais sem essas tecnologias.
O que ocorre, infelizmente é que muitos indivíduos não sabem o que fazer com esse arsenal tecnológico. Não é só uma questão de desconhecimento, é falta de controle entre o humano e o material. O momento é de crise, pois o que está em jogo é a disputa do mais forte, e infelizmente a máquina vem se sobrepondo ao humano.
E embora sabendo que o capitalismo é o principal desencadeador e responsável por essa disputa, esse é um problema sobre o qual não avaliamos a gravidade. È um caminho sem volta, um jogo atrativo, desumano onde se visa formar pessoas consumistas, vazias de sentimentos, solitárias e sem identidade. Como ilustra OBERG, (2006, 147):
Atualmente, observamos grandes transformações nas relações sociais, provocadas pelas regras do mercado, que buscam a produção de bens de consumo de forma cada vez mais rápida, desenvolvendo para isso, tecnologias eletrônicas que permitam a aceleração da produção. Essa lógica que ignora o ritmo da natureza humana vem provocando um sentimento de desenraizamento do homem em relação ao tempo cada vez mais acelerado [...] Esse quadro tem sido apontado como uma das causas para o aumento de distúrbios ligados à solidão, à sensação de não pertencimento, falta de saída e pânico frente ao mundo, bem como as dificuldades no estabelecimento de contato e de comunicação.
Desse modo, muitas vezes frente à tecnologia da informação e da comunicação, as pessoas são consideradas como tabulas rasa, prontas para serem programadas, atendendo ao comando de seu instrutor no momento em que ele ordenar, existindo com isso um desrespeito com a capacidade humana. È importante destacar também que o homem está sendo vítima de suas criações, ou seja, o produtor está sendo dominado por seu produto. Isso lembra a história do filme “o planeta dos macacos”, onde os macacos é que dominavam os homens e não o contrário.
Sabemos que ninguém nasce pronto, somos “montados” a partir de costumes, tradições e aprendizagens ao longo de nossa existência. Dessa forma é necessário não deixar que as informações que chegam até nós, através da mídia não influencie completamente nosso comportamento. Tudo o que vemos através desse meio é um desejo de mostrar algo diferente, uma tentativa de criar falsos padrões de comportamentos e divulgar uma ascensão de sucesso que nem todos podem obter.
Porém, com o desenvolvimento da tecnologia da comunicação e da informação, seria contraditório negar os benefícios proporcionados por esses meios, como afirma Thompson: 1998. “Mensagens são transmitidas através de grandes distâncias com relativa facilidade, de tal maneira que indivíduos têm acesso à informação e comunicação provenientes de fontes distantes.”
Embora o desenvolvimento tecnológico esteja longe de ser ideal, o processo de integração global entre o homem e a tecnologia é irreversível. Podemos dizer que é improvável as pessoas jogarem fora à televisão, o computador e o celular, pois não se podem negar os benefícios dessa tecnologia. Mas como contornar os problemas que ela acarreta?
Tudo isso gera um motivo de preocupação, porque são gerados através deste fenômeno choques culturais e a disseminação de valores materialistas. Cumpre destacar que o intercâmbio de idéias é um aspecto importante da tecnologia, sendo a internet o ícone desse fenômeno. Porém, lamentavelmente esse meio não é usado apenas para divulgar culturas, informações e o intercâmbio comercial. Alguns sites promovem pornografias, racismo e a jogatina que pode destruir a vida das pessoas.
A invasiva tecnologia influi também nos desejos e esperanças das pessoas. Antes se buscava possuir os mesmos bens de consumo do vizinho ou amigo, hoje a tendência é copiar estilos de vida dos poderosos e famosos, que circulam no mundo das celebridades e no meio social. Como muitos empreendimentos da humanidade, o avanço tecnológico possui seu lado útil, mas também prejudicial. “O crescimento dos múltiplos canais de comunicação contribui significativamente para a complexidade e a imprevisibilidade de um mundo já extremamente complexo.” (THOMPSON, 1998:107).
Portanto, a tecnologia trouxe vantagens para alguns, pois, introduziu uma era de comunicações globais. No entanto, em vez de oferecer solução para as dificuldades já existente, se tornou parte do problema.
Quando se trata de compreender as linguagens, pode-se dizer que elas estabelecem o modo de viver, pensar e agir de uma sociedade e são responsáveis pela mudança de comportamento de muitas gerações. Hoje é evidente que essas mudanças ocorrem principalmente pela inserção dessas novas formas de linguagens em nossa vida diária, segundo aponta Fuhrmann (2001), as novas linguagens utilizadas e passadas para as pessoas, principalmente os jovens, é a do consumo onde tudo acaba sendo descartável. Os adolescentes são os maiores consumidores de aparelhos eletrônicos. Se observarmos a rotina de um jovem, percebemos que ele muda constantemente o canal da TV, e vai da internet para o celular, do som para o vídeo e isso sem falar que algumas vezes, eles fazem coisas ao mesmo tempo.
A tecnologia está a nossa volta, faz parte de nosso cotidiano, seja jovem ou adulto, não importa a idade. Ao olharmos a nossa volta só percebemos inúmeras possibilidades da modernidade. Da era da informática, do cartão de crédito ao carro super moderno que está sendo lançado a todo o momento. O grande problema é que tudo isso será descartado, ou seja, o que hoje é bom, útil e bonito, amanhã será feio, ruim e ultrapassado. Sendo conseqüentemente descartado e substituído por outro. Podemos perceber claramente isso na história de Lolo Barnabé de Eva Furnari (2002). Nessa história a autora evidencia a insatisfação do ser humano, pois nunca está feliz com o que possui, sempre está em busca do novo, do moderno. Atitude totalmente comum, mas, e aquilo que é descartado qual será o destino?
Alem disso, é necessário ter cautela e muito cuidado com o poder das novas formas de linguagens que impera sobre a sociedade, porque seu objetivo principal é manter as pessoas escravas de suas normas e alheios à realidade que os cerca. Quando os indivíduos estão envolvidos nesse processo, têm seu ego preenchido por fantasias que os tornam submissos. Através de valores, padrões considerados ideais, indestrutíveis, são reforçados as desigualdades entre as pessoas. Esse poder aliena a sociedade, de forma que os indivíduos não percebem o jogo que está por trás desses interesses. As pessoas são consideradas objetos manipuláveis, sem identidade, a coletividade deu lugar ao individualismo. “O que estamos preocupados em desenvolver não é qualquer luta e qualquer resistência, mas sim a luta contra a dominação [...] Kellner (2001)”.
O grande desafio frente às novas formas de linguagens está então em aprender a selecionar as informações. As pessoas têm que aprender separar o joio do trigo, observar o verdadeiro sentido que há por trás dessas linguagens. É preciso dessa forma, desenvolver habilidades que possibilite lidar com todas essas formas de linguagens, sem esquecer de analisar o valor que cada uma possui.
O homem não consegue viver sem a tecnologia, mas devemos considerá-la como uma roupa que vestimos quando temos necessidade, mas que a tiramos quando queremos. Não podemos permitir que aparelhos eletrônicos substituam os amigos, a família, os livros, em fim, que essa tecnologia não transforme o homem em insensível e solitário.
É importante ressaltar também que existe uma grande diferença entre aceitar as novas linguagens sem questioná-las e rejeita-las totalmente, alegando que nada têm de benéfico para oferecer. Como aponta Levy (1999:12).
Peço apenas que permaneçamos abertos, benevolentes, receptivos em relação à novidade. Que tentemos compreendê-la, pois a verdadeira questão não é ser contra ou a favor, mas sim reconhecer as mudanças qualitativas na ecologia dos signos, o ambiente inédito que resulta da extensão das novas redes de comunicação para a vida social e cultural.
De fato as novas linguagens podem reduzir o raciocínio lógico e o discernimento, condicionar às pessoas a seguir a coletividade. Esse condicionamento não valoriza o indivíduo como ser pensante, questionador, dotado de sentimentos, dificuldades, anseios e perspectivas de viver em uma sociedade democrática que valorize a subjetividade, de forma consciente e crítica.
Fala-se tanto em respeitar as diferenças, mas o que se percebe é um discurso contrário à prática. Muitas vezes as novas formas de linguagens, impõem à idéia de que somos todos iguais, consumimos os mesmos produtos e temos os mesmos comportamentos. Essa idéia faz com que sejamos alvo de disputa de capital, peças de um quebra-cabeça no qual possuímos a mesma forma e tamanho. É explícito o ideal estabelecido por essas linguagens, que são uma manifestação do capitalismo, elas visam desviar a atenção das pessoas dos problemas sociais, políticos, culturais e existenciais. Essa manifestação é perversa porque explora e subtrai aquilo que distingue o homem de outros animais, a saber, sua razão, singularidade e subjetividade. “A cultura veiculada pela mídia divulga imagens e cenas poderosas em termos de identificação, que podem influenciar diretamente o comportamento, criando modelos de ação, moda e estilo”. Kellner (2001:142).
Diante disso, cabe nos questionarmos: quais são os cuidados envolvidos no uso dessas novas formas de linguagens? Ao estar se familiarizando com essas linguagens, você estará mais apto a lidar com elas, percebendo desta forma os vários sentidos que são proporcionados por estes novos meios de comunicação?
No entanto, não queremos ter a visão estreita, reduzida, apenas levar em consideração que o uso dessas linguagens deve ser analisado, pensado e que as pessoas deverão usá-las com o objetivo de melhoria na qualidade de vida. Infelizmente algumas pessoas são como esponjas absorvem tudo que lhes é oferecido, sem questionar. Deve-se deixar claro que estas linguagens só terão algum valor real, se forem constantemente avaliadas, separando o lado negativo do positivo.
Os seres humanos se comunicam por diversos tipos de linguagens, inclusive a imagética. Conforme aponta Duarte (2006), as imagens têm sua importância desde o “descobrimento” do Brasil até os nossos dias atuais. No início o Brasil era representado através de imagens, o que contribuía para definir a identidade do país, era também uma espécie de divulgação das paisagens brasileiras. Esses trabalhos foram tão importantes que até hoje são tidos como documentos preciosos para a investigação da história do país.
Há uma diversidade de imagens, e todas elas expressam alguma coisa, comunicam, dialogam, ou se impõem frente à sociedade. Pode ser uma fotografia, uma pintura, uma imagem televisiva ou via internet. Essas imagens ganharam força a partir do século XX, com o nascimento da internet. “Imagens de outros modos de vida constituem um recurso que os indivíduos têm para julgar criticamente suas próprias condições de vida”. Thompson (1998:153).
Desse modo, as imagens criam novas formas de apreciação de cultura, conhecimentos e lazer, modificam comportamentos e costumes familiares. Embora a internet seja um dos principais veículos de transmissão de imagens, a televisão ainda alcança o maior número de pessoas. Vale ressaltar que a produção audiovisual da televisão é questionada por ser considerada de má qualidade, mas há também programas de valor artístico, social, educativo. O que se deve fazer é uma seleção, como já foi mencionado anteriormente.
As imagens exibidas pela televisão chegam a locais de difícil acesso e em tempo real, via satélite. Isso mostra que: “Uma das conquistas técnicas da televisão é a sua capacidade de utilizar uma grande quantidade de deixas simbólicas, tanto de tipo auditivo quanto visual”. Thompson (1998:157).
Atualmente são inúmeras ofertas e fontes de imagens, por isso surge à dificuldade em julgá-las, para distinguir o real do fantasioso. “Textos e programas da mídia repletos de imagens estereotipadas, mensagens tranqüilizadoras, etc, podem de fato ser recebidos pelos receptores e usadas de maneira a mais inesperada”. Thompson, (1998:186).
Assim, para saber o que está por trás de cada imagem e qual o seu verdadeiro objetivo ideológico e político, tanto a educação familiar quanto a escolar deve estimular as crianças e os jovens a desenvolverem a tarefa de qualificar a imagem, interpretando aquilo que é exposto. Essa ação auxilia na formação ética e desenvolve o raciocínio crítico de jovens e adultos, possibilitando desta forma o hábito seletivo.
Em muitas imagens divulgadas pela mídia a vida é banalizada e a fantasia se confunde com a realidade. Esse é o grave problema que algumas imagens apresentam, ou são usadas com tal objetivo. Por isso, é fundamental que escola e família direcionem e treinem as pessoas para diferenciar a imagem de acordo com seu sentido e conteúdo. Essas imagens são usadas por políticos, publicitários, comerciantes, jornalistas, como um forte poder de persuasão, que atua como influenciador e modificador do modo de pensar, agir, e conseqüentemente provoca mudança de comportamentos. Assim Bourdieu (2002:159), diz que: “a política é o lugar, por excelência, da eficácia simbólica, ação que se exerce por sinais capazes de produzir coisas sociais e, sobretudo, grupos”.
Essas imagens também podem ser usadas de forma positiva em projetos sociais, como por exemplo, em campanhas para incentivar as pessoas a não dirigirem embriagadas. A maioria das imagens atua como decifrador de enunciados e diz o indizível. Tem sentido aberto, age como facilitadora para a compreensão de uma realidade, de um momento histórico, além de mostrar as visões de um povo em determinada época.
Deve-se, no entanto, ter cuidado porque algumas imagens transformam as pessoas, principalmente a televisiva, que constrói na maioria das vezes um mundo baseado em fantasias. E mostra um mundo no qual as pessoas são sempre felizes, belas e bem sucedidas e os problemas pessoais são resolvidos facilmente. Busca-se manter os cidadãos antenados num mundo de facilidades, onde não é necessário nenhum esforço intelectual, tudo vem pronto. Essas imagens são usadas também para rotular as pessoas de forma negativa.
Diante de tudo que foi exposto não poderíamos deixar de ressaltar a importância da imagem, pois elas são passíveis de compreensão, por parte de todos aqueles dispostos a interpretá-las. É importante ainda, mencionar que elas devem ser trabalhadas na prática pedagógica, do ensino infantil ao superior. Essas imagens surgem como alternativa de despertar no aluno a criatividade e o censo crítico.
Quanto à escola deve-se buscar o equilíbrio entre educação e tecnologia da informação e comunicação. Ao passo que a educação nos ensina como pensar, a tecnologia muitas vezes nos diz o que pensar. O papel do educador nesse processo todo é tentar estabelecer um diálogo entre os alunos, de forma que se discuta o lado positivo e o negativo da tecnologia da informação e da comunicação. De acordo com Montoam (2003), “O uso dessas novas tecnologias da informação e da comunicação são desafios para a inclusão escolar, pois elas provocam mudanças significativas no contexto educacional, rompendo com métodos tradicionais de ensino e a aprendizagem”.
Em meio a tudo isso a escola, considerada como grande produtora de conhecimentos, responsável pela formação dos indivíduos e conseqüentemente da sociedade, perde sua força e hegemonia, pois já não é a única instituição que transmite conhecimento. Ultimamente aprende-se em qualquer lugar, nas lan hauses, igrejas, etc. Diante de todas essas formas de linguagens, o professor vem perdendo seu espaço, porque não consegue se engajar e acompanhar essas novas tecnologias. Depositando no livro toda expectativa de uma aula bem sucedida. O problema é preocupante como afirma Levy, (1993:89).
Apesar de diversas experiências positivas sustentadas pelo entusiasmo de alguns professores, o resultado global é decepcionante. Por quê? É certo que a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar, ditar do mestre, na escrita manuscrita do aluno e, há quatro séculos, em um uso moderado da impressão. Uma verdadeira integração da informática [...] não pode ser feita em alguns anos.
Todas as mudanças que ocorrem na sociedade, inserem-se também no espaço educacional. Ocorre que a escola não se desenvolveu ao longo destes anos. Ainda se encontra presa a velhos métodos, que não estimulam os jovens pertencentes a essa nova geração virtual. O professor em meio a tudo isso encontra-se em dificuldades: como incluir os jovens ao contexto escolar, se eles já não mostram nenhum interesse por essa instituição?
Uma saída para isso seria o envolvimento dos professores com essas tecnologias, mas é envolvimento, mesmo. Procurar observar de perto seus alunos questionar o que eles buscam na internet para poder auxiliá-los quando necessário, o professor tem um grande papel que é o de orientador. Conforme afirma Perrenound (2003):
[...] Nenhuma tecnologia, nenhuma reforma estrutural poderá fazer efeito sem a mediação pedagógica. Mas esta, para ganhar eficácia, precisa ser confiada a professores, cada vez mais qualificados, com ampla cultura na área das ciências humanas, forte orientação para as práticas reflexivas e capacidade de inovação.
O ambiente de aprendizagem que utiliza a internet como forma de pesquisa, ainda não é utilidade de todos. Os professores não estão preparados para dá conta desta demanda. Usar a internet como ferramenta de trabalho é um processo que deverá ser vencido urgentemente, pois, a tecnologia não espera.
Com tudo que foi exposto percebemos que tudo na vida passa por transformações, e na escola não pode ser diferente, pois, seu objetivo é formar cidadãos para a vida. Devendo atuar de forma significativa para incluir esses sujeitos no contexto tecnológico, aliás, a escola deveria ser a propulsora nas discursões que envolve tais tecnologias, e não motivo delas.
Portanto, é necessário que todo o corpo docente das escolas brasileiras reflita sobre o seu papel na sociedade frente a todas essas mudanças que vem ocorrendo, cumprindo com o seu papel, e buscando resignificar seus conceitos, devendo desta forma incluir novas formas de comunicação que despertem o interesse dos maiores interessados no processo de ensino-aprendizagem.
De forma geral não há como negar que a tecnologia faz parte do desenvolvimento humano, mas ressalta-se também que essa tecnologia não ocorre na mesma proporção que esse desenvolvimento. Ela chegou a um estágio que está superando a necessidades dos indivíduos. Contudo, é inegável que sem tecnologia não haveria desenvolvimento.

REFERÊNCIAS:

THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Trad. Wagner de Oliveira Brandão. 3ª ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1998.
LEVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. 1ª ed. São Paulo: Ed. 34, 1999.
LEVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Trad. Carlos Irineu da Costa. 1ª ed. Rio de Janeiro.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
KELLNER, Douglas, A cultura da mídia. Estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Trad. Ivone Castilho Benedetti. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2001.
OBERG, Silvia. Como vai a poesia? In: Carvalho, Maria Angélica Freire, Mendonça, Rosa Helena (Orgs). Práticas de leitura e escrita. Brasília: Ministério da Educação, 2006.
FURNARI, Eva. “Lolo Barnabé”. In: Leite e Soto (Orgs). Historinhas Riscadas: antologia de contistas brasileiros. (coleção Literatura em minha casa V2). São Paulo: Moderna, 2002.
FUHRMANN, Leonardo. Veja Jovens, setembro 2001.
ROSALIA, Duarte. Imagem. Linguagem audiovisual e conhecimento. In: Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (13:2006:Recife,PE). Políticas educacionais, tecnológicas e formação do educador: Repercussão sobre as didáticas e as práticas de ensino. Recife: endipe,2006.
MANTOAN, Maria Tereza Eglér. Explorando nas trilhas. In: Pátio, julho 2003.
PERRENOUD, Philippe. O futuro da escola nos pertence. In: Folha de São Paulo.